A fantasia enrouquece

O ano do pensamento mágico

a viagem dura seis minutos
por isso nao se pode começar nada
que nao se possa acabar

Caryl Churchill, Sétimo Céu

mascara_solta_luzazul_felipe_ramirezFotografia: Felipe Ramirez

Um mês depois da apresentação do conceito do trans- no elétrico 191 do Bairro dos Livros, o Máscara Solta prepara-se finalmente para a estreia da sua retrospetiva. Este primeiro espetáculo do ano letivo 2012/2013 marca a primeira vez, em dez anos de existência, que o grupo se apresenta no espaço da sua própria faculdade.

De 10 a 12 de dezembro, o público será levado através de diferentes espaços da FLUP, ao mesmo tempo que homenageia todos os espetáculos encenados desde o ano letivo de 2002/2003. A Sala de Reuniões, os bares e várias salas de aula serão, então, palcos improvisados para a reposição de peças como A Cantora Careca, (A)tentados ou Sétimo Céu, que fazem parte do nosso historial.

O ponto de encontro está marcado para as 21h. Apesar de não ter um preço fixo obrigatório, é nossa intenção angariar dinheiro ao longo do ano para o espetáculo final, pelo que cada espectador poderá escolher quanto quer pagar pelo trajeto. O itinerário ocorrerá, então, entre as 21h30 e as 22h30 no 2º piso da FLUP, pela mão dos encenadores Ana Catarina Ramalho e Tiago Moura. No final do trajeto, o público poderá ainda visualizar a projeção da gravação vídeo do espetáculo do ano letivo transato, Kairós – o filme começa às 23h no Anfiteatro Nobre.

No entanto, a semana de teatro não termina por aqui. No último dia de apresentação do trans-, será ainda feita uma leitura encenada, num outro espaço da FLUP, o DEPER (Torre A, 3º piso), no âmbito das I Jornadas de inverno do Grupo de Estudos Lusófonos «Esse corpo calmo e poderoso, a leitura: Nelson Rodrigues». Esta é a segunda colaboração entre os dois grupos culturais da faculdade

Há dois anos, no processo de pesquisa e seleção de obras a apresentar (ano em que se encenou Sétimo Céu de Caryl Churchill), o «anjo pornográfico» passou pelas mãos do elenco, mas a vontade de encenar Rodrigues acabou por não se concretizar. Uma retrospetiva passará não só pelo que se fez, mas também pelo que se gostaria de ter feito e, por alguma razão, não aconteceu. Desta forma, é para nós um privilégio a oportunidade de finalmente homenagear o autor brasileiro que se ficou apenas pelos bastidores do Máscara. Trata-se do monólogo Valsa nº6, sobre o homicídio de uma menina de 15 anos; começa às 18h30 e é grátis.

Para fechar a semana, o Máscara Solta regressa ao Bairro dos Livros (que organiza, em dezembro, na sua 8ª edição subordinada ao tema «Ler é mágico», o II Festival do Livro do Porto). Tendo por base uma adaptação de O ano do pensamento mágico de Joan Didion, a performance LUZ AZUL (sábado dia 15, também às 18h30, no antigo edifício da AXA nos Aliados) põe em comunicação diferentes peças de autores como Sarah Kane, David Harrower e Jenny Schwartz.

Há muito de mágico na época natalícia, mas, talvez precisamente por isso, nela os choques são sentidos ainda com mais intensidade. Pegando no conceito de trauma (já presente no monólogo rodriguiano) e salientando a sua importância para a dramaturgia contemporânea, LUZ AZUL será uma leitura para quatro vozes – o sujeito e os seus três fantasmas, o do Natal passado, o do Natal presente e o do Natal futuro (ou mesmo, se quisermos, os planos rodriguianos da memória, da realidade e da alucinação).

Não é, contudo, nosso objetivo que nesta quadra o espetáculo se fique pelo prazer estético. Juntamente com a Culture Print, entidade organizadora do Bairro dos Livros, está a ser preparada uma angariação de livros com o fim de construir uma biblioteca para os utentes do Hospital de Santo António. A recolha decorrerá durante todo o festival (14 a 16 de dezembro) e será parte integrante da performance do Máscara Solta, sendo nossa intenção que o público vá empilhando livros à frente dos leitores durante a própria leitura. Queremos que os atores desapareceram por trás do muro de livros, uma vez que eles, sim, são os verdadeiros protagonistas deste festival.

dezembro de 2012

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One response to “A fantasia enrouquece

  1. Pingback: Do amor uma antologia | Máscara Solta·

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