Alguma coisa está aqui a ser escrita

O despertar da primavera

era primavera
sei que o era
porque a minha mãe
comprara flores lá para casa
e a minha mãe
só comprava flores no início
da primavera

eu fiquei
faz parte da minha natureza
deus me perdoe

Tiago Moura, canção 6

mascara_solta_março_carolinaFotografia: Carolina Marcello

Seis meses depois de ter iniciado os seus trabalhos, muitas são as (pequenas mas) decisivas conquistas do atual núcleo do Máscara Solta. Já com sete apresentações no currículo (o primeiro dos três espetáculos anunciados inicialmente e seis diferentes leituras em colaboração com o Grupo de Estudos Lusófonos, o Bairro dos Livros e a Gbliss), o grupo tem dado à Faculdade e ao Porto uma imensa variedade de bons textos (quase sempre montados pelos próprios), cumprindo, um a um, todos os objetivos a que se autopropôs para este ano letivo.

Dos 11 dramaturgos encenados, percebe-se rapidamente que a maioria pertence à literatura estrangeira (Carlos Wallenstein, Caryl Churchill, David Harrower, Eugène Ionesco, Federico García Lorca, Jaime Rocha, Jenny Schwartz, Joan Didion, Martin Crimp, Nelson Rodrigues, Sarah Kane). Dos 11 poetas relidos, pelo contrário, todos são portugueses (Al Berto, Almada Negreiros, Álvaro de Campos, Eduardo Pitta, Joaquim Manuel Magalhães, Jorge Sousa Braga, Margarida Vale de Gato, Mário Cesariny, Natália Correia, Pedro Homem de Mello, Ruy Belo).

O nosso processo de colagem de textos inspirou, inclusive, o nosso elenco, como podem ver pelo vídeo de montagem poética recentemente partilhado no nosso perfil do Facebook, realizado por três alunos para uma disciplina de licenciatura. Ora, no mês do equinócio da primavera e dos Dias Mundiais da Poesia e do Teatro, a nossa aposta não poderia deixar de recair sobre o género lírico. Já no fim de fevereiro, o Máscara havia marcado presença no lançamento da revista Curupira do GEL, para ler alguns dos poemas originais de alunos da FLUP publicados no primeiro número (o poema em epígrafe do Tiago pertence a essa edição)

Ao longo deste mês, estaremos presentes em todas as sessões do I Colóquio Escrever nas Margens, no Gallery Hostel (rua Miguel Bombarda, 222). Organizado por Carolina Marcello e Ricardo Branco, o CEM assume-se como um colóquio de investigação que «pretende pensar a representação de temáticas marginais / marginalizadas, focando-se sobretudo na literatura, mas também nos diversos campos da arte e da cultura portuguesas».

Nos dias 6, 13, 20 e 27 de março, a partir das 17h, um elemento do nosso grupo fará a leitura de alguns dos excertos (poesia e prosa) trabalhados pelos investigadores nas suas comunicações; no CEM ouvir-se-á falar de António Botto, Mário de Sá-Carneiro, Maria Rodrigues Teixeira e José Emílio-Nelson, entre outros, autores que nunca antes passaram pelas mãos do Máscara. Recomendamos ainda, na última sessão, a leitura encenada de Daniela Love, feita propositadamente pela jovem atriz para o evento.

Em março, voltamos também ao Bairro dos Livros, «espaço geográfico e emocional» de mais de trinta livrarias da baixa portuense. Em press release lançado na primeira edição, Inês Castanheira da CulturePrint, a cooperativa organizadora, escreve que, «numa altura em que a crise se faz sentir com grande impacto nas famílias, os livreiros sentem que é também seu dever (…) acarinhar os leitores com atividades culturais gratuitas», integrando-se na dinâmica da cidade.

No próximo sábado dia 9, esta décima edição do Bairro, inteiramente dedicada ao poeta Manuel António Pina, contará com o Máscara Solta numa homenagem em forma de desfile, que parte às 15h do largo da Torre dos Clérigos: manifestação poética em que as palavras de ordem são os versos do autor portuense, recolhidos por nós naquilo a que chamámos Manifesto com «todas as palavras».

Num contínuo processo de construção, tentaremos suprir algumas das lacunas do nosso repertório do primeiro semestre, tendo já planeados projetos com prosa e teatro portugueses. Antes disso, nos dias 12, 13 e 14 de abril, poderão ver o nosso segundo espetáculo, totalmente escrito pelos encenadores Ana Catarina Ramalho e Tiago Moura, sendo a primeira vez em dez anos que o Máscara Solta apresenta um espetáculo com texto original.

março de 2013

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  1. Pingback: Do amor uma antologia | Máscara Solta·

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