O peito extravasado, o mel correndo

Trabalho de parto

TIMON
Por que teríeis entre mil esse título afetuoso
se não pertencêsseis particularmente ao meu coração? (…)
Que preciosa satisfação é ter tantos que nos são como irmãos
e todos a disporem mutuamente do que cada um tem!

A 5 de setembro, publicámos no nosso facebook o seguinte estado: «Este ano o Máscara Solta festeja o seu 10º aniversário. A festa começa em breve». Ora, se isto era um pequeno piscar de olhos ao ambiente do 1o ato do nosso último espetáculo, cujo texto então já se preparava, a verdade é que não tínhamos a mínima noção da quantidade de «convidados» que acabaríamos por receber. Se o 11º ano de existência do grupo foi construído à volta desta ideia de celebração dos últimos dez anos, criando não um, como costume, mas três espetáculos (a retrospetiva, a criação original e a adaptação), a «festa» tem tomado proporções impensáveis, graças a todas as colaborações em que temos trabalhado desde o dia 1 de outubro, dentro e fora da faculdade.

Iniciados os trabalhos, rapidamente percebemos que bastava nos expormos um pouco para descobrirmos que, mesmo ao lado, outros grupos igualmente jovens lutavam de forma semelhante e que, na verdade, era muito simples estabelecer alguns contactos, mesmo havendo raramente questões monetárias a discutir, por estarmos todos na mesma situação. É, portanto, sintomático que o nosso mês de maio, já tão perto do fim, seja o reflexo perfeito dos últimos sete meses de trabalho.

Dia 4: Convidados pelo investigador Luís Tarujo a participar na formação «Do texto à cena: manifestações da relação amorosa no teatro português», faremos o workshop para professores «Aprendizagem de práticas teatrais em cinco atos», em que serão trabalhados textos portugueses de Gil Vicente, Almeida Garrett e Natália Correia, entre outros (adaptados por nós).

Dia 6: Depois de termos participado em abril nas I jornadas de primavera do Grupo de Estudos Lusófonos da FLUP, sobre literatura africana de língua portuguesa (quarta colaboração entre o MS e o GEL), Daniel Ferreira, ator do Máscara desde o ano letivo anterior, fará uma leitura encenada a partir da obra do autor brasileiro Lêdo Ivo, na 2ª sessão da IV edição do colóquio Tinha Paixão, sobre as literaturas brasileira e africana – encontro marcado às 18h30, no Boulevard.

Dia 11: Voltamos ao Bairro dos Livros. Depois da nossa terceira colaboração com o Bairro em março, para a homenagem ao poeta Manuel António Pina (texto «Manifesto com “todas as palavras”» montado por nós), e da colaboração com a Culture Print (entidade organizadora do BL) em abril, para a animação paralela às inaugurações simultâneas do Quarteirão Miguel Bombarda, onde, juntamente com o coletivo Cedofeita Viva, lemos poesia de Alberto Caeiro (texto «O sentimento dum acidental» também montado por nós), voltamos ao Bairro para nova performance de longa duração. les rois qui meurent tour à tour renaissent au cœur des poètes durará cinco horas, tentando criar momentos de intimidade poética com o público.

Dia 17: Fazemos as malas e vamos a Lisboa participar na XIV edição do FATAL – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa; é a quarta vez em 11 anos que o Máscara participa neste festival. Estreamos o espetáculo Presas (a partir de «O ar cansado das minhas roupas», de Ana Catarina Ramalho, e «Alguém olhará por nós», de Tiago Moura, apresentados originalmente na galeria 604 R/C em abril) às 19h, no Teatro da Politécnica.

Dia 23: Antes do último espetáculo, voltamos ao Porto a tempo de participar ainda na semana cultural da FLUP, com algo muito especial preparado de propósito para a nossa faculdade, mas que serve já de amostra do nosso espetáculo de final de ano. Temos vindo a referir que a última criação é uma adaptação de Timon de Atenas, de William Shakespeare. Em certa passagem desse texto, o criado Flávio visita o seu senhor numa caverna, assim como, no mito de Orfeu, o homem procura a sua amada no inferno. Cruzando a peça de Shakespeare com Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, a leitura encenada explorará o movimento descendente do sentimento amoroso.

Falaremos melhor do nosso espetáculo TIMON na newsletter de junho. De qualquer forma, poderão ter acesso exclusivo a toda a informação (cartaz, data, local, preço) durante a performance de dia 11 no Bairro dos Livros; só depois desse evento partilharemos a informação no facebook. O melhor é mesmo seguirem-nos por para saber todos os pormenores destes eventos à medida que forem sendo revelados, até porque o trabalho é muito. E por isso mesmo, apesar de o ano não ter ainda terminado, se daqui para a frente estivermos demasiado ocupados ou, como diria Caeiro, a sentir demasiado para conseguirmos pensar direito, fica já expresso o nosso profundo agradecimento a todos os que nos ajudaram a fazer do 11º ano do Máscara um novo 1º ano: GEL, professor Francisco Topa, Culture Print e Bairro dos Livros, Maria Inês Castanheira, Gbliss, Cedofeita Viva, A Vindimeira, Pedro Leitão, assim como todos os amigos do grupo e amigos particulares que frequentemente se juntam a nós, nomeadamente a professora Alexandra Moreira da Silva, Ana Luísa Carvalho, Pedro Ramalho, Carolina Marcello e Andreia Oliveira – obrigado.

maio de 2013

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  1. Pingback: Do amor uma antologia | Máscara Solta·

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